Ricardo Costa Designer – Beyond Creativity

Polaris - Redesenhando a experiência do sistema operacional Linux.


1. Visão Geral do Projeto

Apesar de ser um sistema operacional robusto e de código aberto, o Linux historicamente afasta usuários comuns devido à sua curva de aprendizado e interfaces que exigem alto conhecimento técnico. O problema central que me propus a resolver foi: Como reduzir as barreiras de interação e criar um ambiente gráfico no qual usuários de primeira viagem não se sintam perdidos? O objetivo da interface Polaris é trazer usabilidade, acessibilidade e a sensação de familiaridade, permitindo que a transição de sistemas como Windows ou macOS para o Linux seja fluida e intuitiva.Meu Papel: UX/UI Designer (Pesquisa, UI Design, Prototipagem).

Ferramentas: Figma, Google Forms e Photoshop.

O Desafio: Muitos usuários enfrentam barreiras ao tentar adotar sistemas Linux devido à curva de aprendizado e interfaces que nem sempre são intuitivas para o público leigo. O objetivo foi desenhar um ambiente gráfico amigável, que reduzisse essa fricção e trouxesse uma sensação de familiaridade.

2. Pesquisa e Descoberta (UX Research)

Para garantir que a Polaris fosse intuitiva, conduzi uma pesquisa quantitativa via Google Forms com usuários de diferentes sistemas operacionais para mapear seus comportamentos e definir personas assertivas. Em paralelo, realizei um Benchmarking focado em Heurísticas de Nielsen, analisando os gigantes do mercado:

  • Análise de Similares (Benchmarking): 
    * Windows 10: Analisei o Fluent Design e a estrutura da barra de tarefas, por ser o sistema mais popular (65,90% do mercado) e o modelo mental dominante.
    * macOS Catalina: Utilizado como principal referência de coerência visual, hierarquia, legibilidade e harmonia de cores.
    * Distribuições Linux (Mint, Ubuntu, MX Linux): Avaliei as soluções atuais do mercado Open Source, identificando oportunidades de melhoria em padronização e contraste.”.

2.1 Pesquisa Quantitativa e Insights (UX Research)

Pesquisa Quantitativa: Desenvolvi e apliquei um questionário via Google Forms, divulgado publicamente em grupos de tecnologia nas redes sociais. O objetivo foi coletar dados comportamentais sobre o uso de diferentes sistemas, o que permitiu traçar o público-alvo de forma mais assertiva e criar as Personas do projeto

Insights baseados na pesquisa:

Insight 1: A Complexidade como a Principal Barreira de Entrada

O Dado (Pesquisa): Quando questionados sobre a dificuldade de usar o Linux, os utilizadores apontaram que a “alta complexidade nas funções, causa difícil compreensão”. Outros justificam a falta de uso por não utilizarem com frequência, o que demonstra que o sistema não convida à exploração.

A Conexão: Isto valida diretamente a problematização inicial de que interfaces não amigáveis nicham o público.

A Solução de UX: “Para combater a percepção de ‘alta complexidade’ , o design da Polaris focou-se nos princípios de Affordance (intuitividade) e na Heurística de ‘Reconhecimento em vez de memorização’. Em vez de exigir que o utilizador aprenda um novo sistema de navegação, a interface foi desenhada para ser autoexplicativa logo no primeiro contacto.”

Insight 2: A Hegemonia do Windows e o Modelo Mental

O Dado (Pesquisa): A esmagadora maioria dos inquiridos (com perfis que variam de Inspetores Escolares a Autônomos e Estudantes) utiliza o Windows. Ao avaliarem a dificuldade do Windows, as notas são baixas (ex: dificuldade 1 em 10) , justificando que é um sistema “fácil de compreender” e “funcional”. Por outro lado, o macOS é um território desconhecido para muitos (“Nunca utilizei. Não sei opinar”).

A Conexão: Este dado quantitativo valida a escolha de usar o Windows 10 como base principal de benchmarking .

A Solução de UX: “A pesquisa revelou que o Windows dita a ‘memória muscular’ e o modelo mental do público-alvo. Estrategicamente, a Polaris não tentou reinventar a roda. Adotou-se o princípio da ‘Familiaridade’ ao estruturar uma barra de tarefas e um menu iniciar reconhecíveis, garantindo que a transição de sistema não gere carga cognitiva extra.”

Insight 3: A Necessidade de Clareza de Informação

O Dado (Pesquisa): Mesmo sendo utilizadores de Windows, quando questionados sobre o que sentem falta no sistema atual, os utilizadores relataram a necessidade de “clareza em algumas informações”.

A Conexão: Esta dor liga-se perfeitamente à 1ª Heurística de Nielsen abordada no seu estudo: Visibilidade do status do sistema.

A Solução de UX : “Os utilizadores exigem clareza. Com base neste feedback, a Polaris foi desenhada para garantir que o utilizador está sempre informado sobre o que está a acontecer. Caixas de diálogo, mensagens de erro e o explorador de ficheiros foram projetados com uma linguagem clara , devolvendo ao utilizador a sensação de Controlo e Liberdade.”

Insight 4: Diversidade de Perfis e Acessibilidade

O Dado (Pesquisa): A amostra recolheu dados de utilizadores que usam o computador para múltiplos fins simultâneos (“Para trabalho, Para estudo, Para Lazer”) , com cargas horárias que variam de 1 hora a mais de 4 horas diárias.

A Conexão: Longas jornadas em frente a tela para múltiplas tarefas exigem conforto visual e um sistema flexível.

A Solução de UX : “Como o perfil de uso é intensivo (trabalho, estudo e lazer), a fadiga visual é um fator de risco. Esta descoberta guiou o desenvolvimento de uma Tipografia Responsiva com limites de largura de linha para otimizar a leitura (fórmula de 30x o tamanho da fonte). Além disso, a paleta de cores foi rigorosamente testada para suportar Modos Light e Dark , garantindo acessibilidade e conforto independentemente do tempo de exposição.”

3. Conceituação e Identidade

  • O Conceito “Polaris”: O nome foi inspirado na Estrela Polar, historicamente usada como um guia de navegação para pessoas perdidas. O conceito reflete a essência da interface: ser um guia para que qualquer usuário, por mais inexperiente que seja, não se sinta “perdido” ao utilizar o Linux.

  • Tipografia: A família tipográfica escolhida foi a Lato. Além de garantir excelente leiturabilidade e legibilidade, é uma fonte Open Font License (gratuita para uso pessoal e comercial), alinhando-se perfeitamente à filosofia de código aberto da comunidade Linux.

  • Iconografia: Para manter o foco no Open Source, utilizei o pacote “Papirus Icon Theme”, escolhido por sua consistência estética e estilo que conversa bem com interfaces modernas.

4. UI Design e Style Guide

O desenvolvimento do Style Guide permitiu padronizar componentes e garantir a heurística de ‘Consistência e Padrões’ em toda a interface. As principais soluções implementadas incluem:.

  • O guia estabelece os padrões visuais rigorosos para botões, caixas de diálogo, tipografia e paleta de cores 

  • Foram criadas paletas de cores distintas para suportar o Modo Light e o Modo Dark, além de focar no contraste adequado para garantir a acessibilidade visual.

5. A Solução (Prototipação)

Com base na pesquisa e no guia de estilos, as principais telas do sistema foram desenhadas priorizando a heurística de reconhecimento ao invés de memorização:

  • Tela de Login e Tela Inicial: O primeiro contato do usuário com o sistema foi projetado para ser limpo e direto, oferecendo suporte a modos de visualização acessíveis logo na entrada.

  • Barra de Tarefas e Notificações: Centraliza as interações vitais, combinando o menu principal, os aplicativos abertos e uma área de notificação consolidada (que inclui relógio, calendário e ajustes de brilho/som), respeitando o padrão mental já existente na maioria dos usuários.

  • Menu de Aplicativos e Explorador de Arquivos: O menu foi dividido em categorias de forma hierárquica, facilitando a busca e a organização de aplicativos favoritos. O explorador de arquivos aplica o menu global e local com hierarquia visual clara, facilitando o gerenciamento de documentos

6. Aprendizados

1. A familiaridade reduz a curva de aprendizado (O poder dos modelos mentais)
Durante o benchmarking com sistemas consolidados como Windows 10 e macOS , aprendi que para democratizar o acesso ao Linux e atrair novos usuários, a inovação puramente estética não deve se sobrepor à familiaridade. Respeitar a ‘memória muscular’ e os modelos mentais já estabelecidos pelos usuários (como o reconhecimento ao invés da memorização) é o caminho mais eficaz para criar uma interface verdadeiramente intuitiva

2. O desafio da consistência em um ecossistema complexo
Desenhar a proposta para um sistema operacional me ensinou a importância vital de se construir um Style Guide rigoroso. Garantir a heurística de ‘Consistência e Padrões’ em larga escala — do explorador de arquivos ao menu de configurações — exige regras sólidas de hierarquia, tipografia e iconografia. Aprendi que padronizar componentes é o que faz o usuário sentir que está sempre no controle do ambiente.

3. Acessibilidade e contraste como pilares do UI Design
A pesquisa aprofundada sobre cores e tipografia me mostrou que a estética deve sempre servir à função. Ao desenvolver a interface Polaris com suporte nativo para os Modos Light, Dark e de Acessibilidade logo na tela de login , compreendi na prática como o contraste adequado e a escolha estratégica de uma fonte (como a família Lato) são essenciais para diminuir as barreiras de interação e garantir a legibilidade para qualquer perfil de usuário.

UX/UI - Interface Gráfica Linux

Veja o projeto completo da interface Gráfica no Figma.

UX/UI - Web Design

Veja o projeto completo da Landing Page do Polaris

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